Quinta-feira, Maio 26, 2011

A vida vista de fora

(Imagem daqui)

Como será a vida vista de fora? 

Como me veria se o pudesse fazer?  

Como me vêem os outros sem saber o que vejo cá dentro? 

Pergunto-me constantemente como seria se conseguisse fazer um pause e abstrair-me do facto da ter que viver... 
Concluo que é precisamente o ter que a viver que anula o perceber o que vivo

Vivo-a em modo automático, não muito diferente do condicionamento do cão do Pavlov. Acordo e sei o que tenho que fazer, e acabo o dia sem compreender o que provocou em mim o facto de o ter feito.

Quero sentir efectivamente cada nanossegundo que vivo, mas tenho que efectivamente vivê-lo para o conseguir sentir. 

Ver a vida que nos acontece, seria importante para a sentir.

Mas não tiraria isso a adrenalina que dá não o saber? 
Pior, não poderia isso conduzir-nos a uma parte de nós que inconscientemente preferimos não saber? 

São tantas as vezes em que, inocentemente, repetimos o gesto que nos protege, e tapamos os olhos com as mãos para não vermos nem sermos vistos..

O conhecimento pode ser tão fatal como a ausência dele.

Não é por acaso que os antigos já diziam que: a ignorância é uma benção.


Mas gostava de parar, e sentir a vida vista de dentro.

Parar de viver e ver a vida que acontece.

Quinta-feira, Maio 19, 2011

Hoje sei que me falta..


(Imagem daqui)

 Falta-me ter medo..

Aquele medo que dá a importância às coisas.

Falta-me ter a liberdade para poder expressar esse medo de modo a que percebam a magnitude que tem o sufocar da possibilidade da perda, e reconheçam nisso o valor e não a insegurança.
Que lhe achem a piada como quando somos crianças e o mundo parece ruir quando nos tiram o nosso brinquedo preferido das mãos.
Era tão mais genuíno..
As mais pequenas coisas ganhavam valor a cada birra, a cada sorriso..
Agora crescemos e somos obrigados a conter o medo da perda e desvalorizá-la, retirando das pessoas e das situações a sua importância.
Somos preparados para isso como se crescer fosse esquecer a magia que o nosso brinquedo preferido pode exercer nas nossas vidas.

Não é maduro expressar medo.
Não é inteligente demonstrar insegurança.
Não é aceitável fazer birra pelo que se quer.

E a importância das coisas?!
E a magia de as termos?!
E o nó na barriga com a possibilidade de as perdermos?

Aprendemos a desvalorizar para nos valorizarmos, e perdemos a noção do valor.. E vamos perdendo a vida no entretanto..