Quarta-feira, Maio 12, 2010

O hábito da acomodação

(imagem daqui)

Quando não sabemos como lutar, guardamos as armas esperando que o fim da guerra demore a chegar. Camuflamos o medo com aparência calma e procuramos provocar gargalhadas para desviar a atenção da batalha que tememos perder.

Quando os escudos se partem e as defesas deixam de ser eficazes, preparamo-nos mentalmente para a queda e para a dor que o fim da guerra pode trazer.

E aí vem o alívio. Carregado de um vazio que insiste em não ser digerido. 
Convencemo-nos  que as perdas foram necessárias e que já nada havia para salvar.
Iludimo-nos e persuadimo-nos com a ideia de que a nossa força parte de nos conseguirmos levantar e seguir em frente. Quando, na realidade, tentamos apenas abafar o quão patéticos somos em sentirmo-nos vitoriosos numa guerra que fomos cobardes demais para enfrentar. Congratulamo-nos por ultrapassar uma perda que nunca lutámos por evitar.

Somos apenas uns cobardes a evitar confrontos, porque não sabemos atacar, porque não sabemos defender-nos ou porque simplesmente é mais fácil lidar com um final aparentemente inevitável do que nos esgotarmos a combatê-lo.

Acomodamo-nos com facilidade, agarrados à ideia que ainda temos muito para conquistar, que temos muitas outras coisas na vida para darmos atenção. E quando damos por isso, já cá não estamos.

Acomodamo-nos na nossa vida privada, nos relacionamentos e na sociedade, convencendo-nos que somos o que somos, que não somos suficientes, que não merecemos, que merecemos melhor, que há mais oportunidades ou que não existem oportunidades para nós como existem para os outros.

Acomodamo-nos e vamos adiando batalhas, até que quando nos apercebemos já perdemos a guerra. 

Incutiram-nos que temos que nos adaptar e esqueceram-se de reforçar que, nessa teoria, Darwin também explicou que na vida sobreviviam os mais fortes. E esses, raramente são os que ficam à espera que a vida aconteça. 


Segunda-feira, Maio 10, 2010

Rebirth

(Imagem daqui)

Quando sentimos o nosso corpo a secar, como se pelos poros nos saísse a vida que era suposto entrar em nós.. 

Como se pára?

Como se impede o corpo de expulsar o que lhe pesa? O que reconhece como tóxico?

Tornei-me tóxica para o meu próprio corpo de tão corrosiva que se encontra a minha alma..

E não consigo travá-lo..

Sinto-o a espalhar-se pelo ar. Sinto o cheiro de podridão de um acumular excessivo de remendos estragados.

Sinto-o como nunca o tinha sentido em mim. O grito preso na garganta que vai deixando de ter ar para ser expulso.

Tornei-me a doença enclausurada em mim. E o meu corpo tratou de me expulsar, sufocando-me.

Aos poucos vou deixando de sentir o peso que me esmagava..
Aos poucos vou deixando de sentir...

E deixo de tentar pará-lo.


Amanhã nasço de novo.