Quando não sabemos como lutar, guardamos as armas esperando que o fim da guerra demore a chegar. Camuflamos o medo com aparência calma e procuramos provocar gargalhadas para desviar a atenção da batalha que tememos perder.
Quando os escudos se partem e as defesas deixam de ser eficazes, preparamo-nos mentalmente para a queda e para a dor que o fim da guerra pode trazer.
E aí vem o alívio. Carregado de um vazio que insiste em não ser digerido.
Convencemo-nos que as perdas foram necessárias e que já nada havia para salvar.
Iludimo-nos e persuadimo-nos com a ideia de que a nossa força parte de nos conseguirmos levantar e seguir em frente. Quando, na realidade, tentamos apenas abafar o quão patéticos somos em sentirmo-nos vitoriosos numa guerra que fomos cobardes demais para enfrentar. Congratulamo-nos por ultrapassar uma perda que nunca lutámos por evitar.
Somos apenas uns cobardes a evitar confrontos, porque não sabemos atacar, porque não sabemos defender-nos ou porque simplesmente é mais fácil lidar com um final aparentemente inevitável do que nos esgotarmos a combatê-lo.
Acomodamo-nos com facilidade, agarrados à ideia que ainda temos muito para conquistar, que temos muitas outras coisas na vida para darmos atenção. E quando damos por isso, já cá não estamos.
Acomodamo-nos na nossa vida privada, nos relacionamentos e na sociedade, convencendo-nos que somos o que somos, que não somos suficientes, que não merecemos, que merecemos melhor, que há mais oportunidades ou que não existem oportunidades para nós como existem para os outros.
Acomodamo-nos e vamos adiando batalhas, até que quando nos apercebemos já perdemos a guerra.
Incutiram-nos que temos que nos adaptar e esqueceram-se de reforçar que, nessa teoria, Darwin também explicou que na vida sobreviviam os mais fortes. E esses, raramente são os que ficam à espera que a vida aconteça.



1 Delusions:
como é que eu não soube do seu regresso, minha gémea? como foi isso acontecer?
aiaiaiaiaiaiiii...*
já tinha saudades de te ler :)
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