Quinta-feira, Novembro 02, 2006

A fase dos filmes lamechas e dos lenços de papel

(Imagem daqui)

Se há algo que sempre me intrigou é o eterno masoquismo sentimental!

Algum dia passaram horas sentados no sofá a ver comédias românticas carregadas de clichés e homens “perfeitos”? (estão a imaginar o cenário? Pantufas… Roupas confortáveis… Agarrados às almofadas…) Ou a ouvir as músicas que vos fazem chorar compulsivamente? (Aquelas que vos fazem ir ao vosso arquivo sentimental abrir gavetas fechadas com o selo “Perigo! Destruição eminente!”? ) Ou então reconstruir mentalmente cada bom momento passado com alguém que eventualmente vos “atirou ao tapete”?

A questão que se impõe é: porquê as coisas lamechas? Ok, talvez outra questão se imponha também: serão só as mulheres? (Agora que penso nisso… É estranho imaginar um homem a ter muita actividade cerebral! Já as pantufas felpudas, os pijamas quentinhos e os lenços ao lado… Yeah! I can picture that! Jokin’) Ou então sou só eu mesma(Damn! Eu sabia que não devia ter deitado o nº do psiquiatra fora…)

Alguém me explica o porquê deste masoquismo sentimental?!

Há algo de muito errado com esta “estratégia” de “adormecer” a dor provocando-a! Até porque a provocação tende a ter o efeito contrário! (A não ser que meta a Júlia Pinheiro pelo meio.. Aí sim, torna-se realmente “boooooring”..) Mas deve haver algo de acertado na frase “se não os consegues vencer… Junta-te a eles”!

Ok, talvez seja só uma das minhas (muitas!) síndromes sentimentais, mas de facto quanto mais no fundo estiver mais água quero para me afogar! E a realidade é que resulta! (Não tanto na parte do afogamento, mas sim na parte do subir mais rapidamente à tona) Já dizia o(a) outro(a): às vezes é preciso bater mesmo no fundo! Ou então, talvez seja apenas preciso perder o ar para se dar mais valor ao espaço que ficou para se respirar quando alguém deixou de estar ao nosso lado.



3 Delusions:

Daniel Aladiah disse...

Querida Hrrada
Mas esse comportamento dá prazer! É uma forma de darmos atenção a nós próprios já que o outro (ou outros) não querem saber. Assim, conseguimos reequilibrar o barco que anda à deriva...
Um beijo
Daniel

Kyia disse...

Ou então, talvez seja mesmo isso...
Calcar os nossos próprios calos talvez seja a nossa forma de mostrar que para lá de tanto ranho, e tanta baba, e tanto choro, ainda somos capazes de sentir mais alguma coisa...

Não és só tu, cara Peixa (que neste momento derrete numa aula qualquer para os lados do campo do milho), que tem uma certa queda pelo masoquismo em determinadas alturas...

Mas afinal, não é o estar mal e a falta daquele pequeno espaço para respirar (mesmo sem alguém la ao lado), que nos mostra o caminho a seguir, nas, por vezes, tão atribuladas aguas da nossa vida?

Beijinho gande*

(Porra! Até aqui me cruzo contigo.. começo a achar que fazes de propósito! :p)

Nandita disse...

Que bom voltar a tua casa e encontrar as coisas remodeladas. Acredito que existe esse masoquismo, nao lhe chamaria sentimental, mas do sofrimento em geral.
As coisas que me atingem em força fazem-me fechar e sofrer assim, industrial, massivamente. Não com lenços de papel e filmes melosos, mas quase sempre só e com sons ao lado, a despertar outras lembranças.
Mas resulta tao bem! E volto tao em força! ...para lá do estereotipo, acredito na miraculosidade do sofrimento massivo ;)
Beijo, e ainda melhor é sair da caixa depois!