"Querido:
Tudo acabou. Passaram-se quatro dias. O que eu sinto? Nostalgia dos bons momentos. Saudades deles. Isso é o que posso dizer às pessoas.
Racionalmente posso tentar explicar tantas coisas: "... isto é um ciclo vicioso: eu fui deixando de ser estimulante e como resposta, ele foi-se afastando".
O que sinto e não consigo explicar de forma que me entendam (porque se perde no meu começo), é uma tristeza de abandono que vem de longe, sei lá.
Apesar de ter sido eu a deixar-te, sinto-me abandonada.
Estou ferida. Como se não me pudessem amar toda. Como se tudo o que sou, toda a história que em mim vive, as minhas fragilidades, as minhas paixões, nada valessem.
Quando nos falta o primeiro sorriso, achamo-nos bichos e acreditamos ter que esconder as escamas, as feridas, para podermos ser amados.
Isto é a vida (ou a morte) que vive em mim. Posso transformá-la, ou deixar, sabe-se lá porquê, que sempre me persiga. Posso vir a acreditar que amem todos os bichos que existem dentro de mim ou andar para aí a fingir toda a vida: tenho vergonha de mim e acabo a odiar, pois julgo ser dos outros a culpa por me esconder.
Culpa que não será deles de certeza, mas que passa a sê-lo. Desencontros permanentes que vão pesando sobre mim.
Estás a ver como é tímido o limite entre a sanidade e a pequena patologia?
Acredito no amor, naquele amor, o único que deve andar em outros papéis que não estes, mas que encontrarei, ou me descobrirá um dia, num passeio à mata. E chama-me infantilmente romântica se quiseres, mas esse amor dedicar-se-á a desmanchar tudo o que em mim sofre e a restituir tudo o que me foi roubado. Far-me-á sentir merecedora de todo o Mundo não só pelas minhas virtudes, mas também (e quem sabe se, principalmente) pelas minhas imperfeições. Espero também amá-lo e não o afastar por não me sentir merecedora de tanto. É que isso também acontece!
No dia em que deixar de acreditar posso enlouquecer! Por isso chamo-me louca quando embrulhada em cobertores, choro convulsivamente a tua ausência; é o medo da ideia de não encontrar esse alguém, ou de o ter já perdido. Depois, esforço-me por acreditar que não.
Não te vou mostrar esta carta, assim como não te entregarei a outra. Porquê? Enlouquece-me querer saber as razões de tudo e hoje não quero ser louca."
Tudo acabou. Passaram-se quatro dias. O que eu sinto? Nostalgia dos bons momentos. Saudades deles. Isso é o que posso dizer às pessoas.
Racionalmente posso tentar explicar tantas coisas: "... isto é um ciclo vicioso: eu fui deixando de ser estimulante e como resposta, ele foi-se afastando".
O que sinto e não consigo explicar de forma que me entendam (porque se perde no meu começo), é uma tristeza de abandono que vem de longe, sei lá.
Apesar de ter sido eu a deixar-te, sinto-me abandonada.
Estou ferida. Como se não me pudessem amar toda. Como se tudo o que sou, toda a história que em mim vive, as minhas fragilidades, as minhas paixões, nada valessem.
Quando nos falta o primeiro sorriso, achamo-nos bichos e acreditamos ter que esconder as escamas, as feridas, para podermos ser amados.
Isto é a vida (ou a morte) que vive em mim. Posso transformá-la, ou deixar, sabe-se lá porquê, que sempre me persiga. Posso vir a acreditar que amem todos os bichos que existem dentro de mim ou andar para aí a fingir toda a vida: tenho vergonha de mim e acabo a odiar, pois julgo ser dos outros a culpa por me esconder.
Culpa que não será deles de certeza, mas que passa a sê-lo. Desencontros permanentes que vão pesando sobre mim.
Estás a ver como é tímido o limite entre a sanidade e a pequena patologia?
Acredito no amor, naquele amor, o único que deve andar em outros papéis que não estes, mas que encontrarei, ou me descobrirá um dia, num passeio à mata. E chama-me infantilmente romântica se quiseres, mas esse amor dedicar-se-á a desmanchar tudo o que em mim sofre e a restituir tudo o que me foi roubado. Far-me-á sentir merecedora de todo o Mundo não só pelas minhas virtudes, mas também (e quem sabe se, principalmente) pelas minhas imperfeições. Espero também amá-lo e não o afastar por não me sentir merecedora de tanto. É que isso também acontece!
No dia em que deixar de acreditar posso enlouquecer! Por isso chamo-me louca quando embrulhada em cobertores, choro convulsivamente a tua ausência; é o medo da ideia de não encontrar esse alguém, ou de o ter já perdido. Depois, esforço-me por acreditar que não.
Não te vou mostrar esta carta, assim como não te entregarei a outra. Porquê? Enlouquece-me querer saber as razões de tudo e hoje não quero ser louca."
(Marta Gautier in Tanto que não te disse)



8 Delusions:
"Tanto que eu não te disse..." e tão pouco para dizer tanto... Gostei.
"Tanto que eu não te disse..."
Foi isso mesmo: o tanto que ficou por dizer... por contar... por sentir...
Tanto foi que hoje só posso dizer:
"No dia em que deixar de acreditar posso enlouquecer!"
Beijinho grande***
n gostei nada do fim... eu a pensar q era 1 texto teu, eu farto de me rir com as tuas desgraças e a pensar q tavas paí a sofrer e no fim vejo q é doutra gaja. ora poça!!
Querida Hrrada
Em abstrato, serve para quem esteja como relata o texto: tu não tens culpa, tu tens razão em querer amar assim, existe alguém que te aceitará como és, não és louca, tão somente uma mulher capaz de amar e que ainda não foi bem amada...
um beijo
Daniel
Post divino que nos faz viajar...
Beijinho
sempre achei q ñ vale a pena pensar no q ñ se disse, o q interessa é o q aconteceu!
Acredito siim...e enquanto acreditar...sorriu=)
nem que acreditar simplesmentee..e ao mesmo tempo tanto...com tanta força...que me motiva por seguir em frentee...amei o desenrolar da história...o fim nao foi o que estava na minha espectativa..mas...goztei.=)
beijinhu...Keep Going*
o livro e um maximo adoro. fala de coisas que sao verdade, e eu revi-me em certas situações
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