Quarta-feira, Dezembro 21, 2005



Não és tu!



Eu sei que não és tu...


E mesmo assim encontro-te!
Passo a vida a encontrar-te...


Não és tu...


Talvez não sejas tu...



Mas continuas aqui,

A segurar-me enquanto caio...


Não és tu...


Provavelmente sou eu...



E não te perco quando fujo...
Nem tu partes quando saio...


Não és tu...


Nem outro poderia ser...



Que me impedisse de voar...

Que me fizesse amar o chão...



Não...


Não és tu...


Nem poderá ser mais ninguém...




Porque as ilusões não nos encontram,


Mas não as perd
emos de vista...




Quarta-feira, Dezembro 14, 2005







Sem te aproximares,




Vais afastando quem nunca sai...





Vais expulsando quem está presente...






Segunda-feira, Dezembro 12, 2005


E jogamos às escondidas...

Crentes que os nossos corações se encontrarão mesmo sem nos vermos...

Tapo os olhos com as mãos, é a minha vez de te procurar, de deixar que o meu coração te sinta e me guie até ti...

1,2,3,4,5...

Conto ao ritmo das minhas pulsações enquanto te escondes no sítio de sempre desejoso para que seja desta que te encontre...

Estou a ir...

Abro os olhos arrependendo-me no momento seguinte... Volto a fechá-los, na esperança que os outros sentidos falem mais alto, que pelo menos o coração te veja na escuridão... Ouço o ritmo descompassado do teu coração ao longe...

Estás nervoso, expectante, ansioso...

Entusiasmado com a possibilidade de te encontrar, finalmente...

Apresso-me na direcção dos teus baptimentos... Sinto-os aumentar à medida que me aproximo...

Apanhei-te!

Toco-te... De olhos fechados percorro o teu corpo, a tua face, o teu sorriso... Tens os olhos fechados... Encostas a cabeça à minha mão quando te acaricio o cabelo... Sinto-te estremecer quando toco nos teus lábios... Um arrepio... O teu cheiro entranha-se no meu corpo, o teu calor percorre-me... Invades-me...

Dou um passo atrás para me recompor... Recupero as forças, solto a respiração que susti sem me aperceber, e abro os olhos...

Não te encontro...

Onde estás?!

Ouço o teu riso de puto traquina ao longe... Estás a afastar-te... Soltas uma gargalhada imaginando a minha desorientação e gritas:


Segue o teu coração!
Acabarás por me encontrar no seu eco...


Deixo-me cair no chão, de olhos fechados, voltando a sentir-me perdida...
Mas desta vez em ti...
Desta vez perdi-me em ti...

É a tua vez de me encontrares!


1,2,3,4,5,...



Encontra-me...




Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

It's just me and the world...


Fujo do Sonho!
E refugio-me na Realidade...
Evitando-a...


And
o no fio da navalha...
A sangrar aos poucos...
A evitar cair...

Procuro bloquear os sentimentos,
Apagar a minha natureza...


Sinto-me oca,
No meio da presença sufocante da vida...


Preenchida pelo vazio
Do turbilhão de sentimentos que gritam..
Que confundem...
Que existem...


E na realidade,
Sou apenas um veneno
À solta num mundo contaminado...


Um mundo do qual me protejo
E que procuro proteger de mim...